Ao sair para pescar, Juzimar Araújo, morador local de Nogueira, município de Alvarães, se deparou com um filhote de peixe-boi (Trichechus inunguis) que estava sozinho. Alguns dias depois, avistou o animal novamente, desta vez próximo ao porto, onde há intenso tráfego de embarcações. Por ter experiência como agente ambiental, Juzimar acionou a Secretaria de Meio Ambiente do município, que passou a acompanhar os movimentos do peixe-boi. Após horas de observação, constatou-se que o filhote havia se separado da mãe – que possivelmente foi caçada – e, por estar em uma área movimentada, corria risco.

“A partir daí, eu e outros agentes ambientais passamos a tomar todos os cuidados possíveis, afastando curiosos e orientando as embarcações a se distanciarem do local”, conta Ney Maciel, secretário de meio ambiente de Alvarães. “Em uma primeira avaliação, o animal parecia estar debilitado e rapidamente acionamos o ICMBio e o Instituto Mamirauá”, complementa.
Desta forma, pesquisadores do Instituto Mamirauá e servidores do ICMBio mobilizaram uma equipe para ir até o local para avaliar a situação e realizar o resgate do filhote de peixe-boi. As veterinárias presentes constataram que o animal é um macho de aproximadamente três meses de vida. O peixe-boi estava com aspecto magro e com presença de gases, provavelmente por estar há dias sem se alimentar de forma adequada. A equipe realizou a translocação do animal até a sede do Instituto Mamirauá, onde permanece em um tanque de forma temporária e recebe cuidados constantes.
“Gostaria de reiterar que o resgate desse filhote só foi possível pela iniciativa de moradores locais da comunidade de Nogueira que, ao notarem a presença do peixe-boi, passaram a protegê-lo das embarcações e acionaram as equipes do Mamirauá e ICMBio”, enfatiza Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá. “Apesar da situação vulnerável do animal, foi graças à rápida mobilização da equipe e dessa ação colaborativa que foi possível realizar o resgate”, comenta.

Nesse momento, o peixe-boi está sendo alimentado de duas em duas horas com uma fórmula especial de leite que conta com suplemento vitamínico. O filhote também foi medicado para tratar dos gases e outras questões identificadas pelas veterinárias. Em poucos dias, o filhote de peixe-boi já apresentou uma melhora em seu quadro clínico, com o aumento de atividade física e melhor capacidade de controlar sua flutuabilidade – sinal de diminuição dos gases.
Segundo Renata Alquezar, servidora do ICMBio – NGI Tefé, “o fato desse filhote ter sido encontrado sozinho provavelmente significa que a mãe foi caçada de forma ilegal. O abate desses animais representa um grande risco à espécie, que é especialmente vulnerável a pressões antrópicas. Infelizmente, poucos filhotes que ficam órfãos terão uma chance de sobreviver como esse”.
Fonte: ASSESSORIA












